“Uma andorinha só não faz verão” – é assim o ditado popular?

Por Paulo Henrique “Garibaldo” Moraes, Cientista Social, mestrando; músico na Velttenz; Garibaldo e o Resto do Mundo; produtor cultural no Coletivo Velga, sedeado em São Luis-MA.

Não, ao contrário do que você possa imaginar, não vou falar de cena nem de movimento, nem de nenhuma papagaiada desse tipo, quer dizer, não diretamente. Só quero alertá-lo, com esse texto, para algo que pode muito bem sedimentar a carreira de sua banda se feito com seriedade e profissionalismo, aliás, como tudo referente à carreira da sua banda deve ser feito.

Antes, conto com seu discernimento para saber que sua banda não é genial, ou suficientemente comercial, para que, sozinha, seja capaz de criar um ‘burburinho’ tão grande e tão duradouro que mude algumas estruturas e relações que sua banda tem no cenário da música na sua cidade, região, etc. Não esqueça que estamos no Brasil, onde a indústria fonográfica e todo o mercado consequente dela deixaram de ser sustentados por poucos artistas e agora sugam as últimas gotas de receitas que pouquíssimos ainda são capazes de gerar. Portanto, não alimente ilusões, por menores que sejam. Existem exceções, claro, mas de modo geral é assim, então, não seja lesado e tenha consciência desse fato.

Sabendo disso, e já entrando no assunto que quero tratar, não faça de sua banda única trincheira em uma luta de difícil combate. Não há porque dificultar as coisas achando que tudo cairá do céu só porque você é talentoso e sua banda é uma maravilha. Ao contrário disso, agregue valores ao trabalho da sua banda, e quando me refiro a valores, digo sobre trabalhos que possam acrescentar algo de qualidade à sua música, que estejam a serviço dela, que encorpem e possam dar visibilidade maior ao seu trabalho. Fotógrafo, vídeo-maker, ilustrador, designer, produtor, assessor, técnico de som, empresários, uma infinidade de profissionais que podem ajudar a produzir seus discos, capas, cartazes, vídeos, shows, a divulgar sua banda, etc. E seja esperto, trabalhe sempre com pessoas de qualidade, de talento, mas, acima de tudo, com senso aguçado de profissionalismo. E importante, chame seus colegas de banda e organizem-se, busquem patrocínios, façam um caixa para a banda, deem um jeito de conseguir grana para pagar esses profissionais, porque assim você poderá exigir que o serviço prestado seja bem feito e no prazo determinado, não dependa daquele amigo fdp, que, apesar de talentoso, é um completo irresponsável e nunca termina a arte que você pediu para o cartaz ou para o disco da banda, ou que nunca manda a foto de divulgação que ele fez de vocês em um dia qualquer, ou que te deixa na mão em um show por não ter levado o cubo que você pediu emprestado há um mês – não cometa esse erro, procure pessoas comprometidas e profissionais.

Fazendo isso, além de alavancar o trabalho da sua banda, você fará um bem para o lugar onde você vive, onde sua banda toca e se relaciona com as pessoas, para as bandas que tocam contigo, para os profissionais que trabalham com o nicho musical a qual sua banda pertence na sua cidade e região, pois assim você e sua banda estarão estabelecendo um mercado, e, por menor que seja, é certo que ele vai gerar serviços, produzindo trabalho e receita, profissionalização de todo um cenário que pode e vai retornar para sua banda, nos lugares em que você for ensaiar tocar, gravar, nas vendas dos produtos relacionados à sua música, na visão que o público terá do seu trabalho, etc.

Eu sei que tudo isso funciona perfeitamente em um mundo ideal, mas acredito que isso seja palpável e pode funcionar também na prática. Faça sua parte, seja comprometido e sério com a sua música, e sempre escolha trabalhar com pessoas que pensem e ajam do mesmo jeito, com comprometimento e seriedade, menos que isso, nem dê o papo – e é fácil perceber no olho, no aperto de mão, quem é profissional e quem não é. Portanto não procure o caminho mais fácil, muito menos se acomode. Se você entrou nessa, sabe que a coisa é difícil pra cacete, então, pare com as chorumelas e lamentações, dê o exemplo e faça com o que os outros o respeitem por isso, respeitem sua banda.

O ditado popular é válido, mas não espere pelos outros. Faça como deve ser feito, como dito ali em cima, daí, então, uma hora ou outra os resultados vão aparecer, mesmo que pequenos num primeiro momento, e todos os outros vão querer fazer da mesma forma que você, e quando o ‘verão estiver feito’, aproveite.

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